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J u m e n t o s P ê g a
O Jumento Pêga é uma raça de asininos brasileira
, formada em Lagoa Dourada - MG. Os jumentos também
são utilizados para obtenção de híbridos ( burros
e mulas ), a partir de cruzamentos com as éguas.
Os muares são animais ágeis, dóceis e resistentes,
sendo de grande utilidade no transporte de cargas
(carroça, cangalha, etc.), tração (arados, carpideiras,
plantadeiras, etc. ), lida com gado, passeios, cavalgadas,
concursos de marcha e enduros .
O
desenvolvimento da mineração nos séculos XVIII e
XIX nas Minas Gerais , fez crescer a preferência
de desenvolver a produção de muares para atender
àquela atividade .
O criador mineiro, talvez cercado por cadeias de
montanhas, tornou-se também fechado para criar animais
e fazê-los segundo a sua visão prática. Para vencer
as grandes distancias rumo à corte , para manter
a convivência entre as populações do campo e das
cidades , para suprir as necessidades básicas das
famílias, para transportar a produção da terra ,
fizeram do muar o auxiliar preferido àquela época.
A
sociedade como um todo, tinha conhecimento da importância
do burro e, via de conseqüência , do jumento como
seu elemento formador .
Não
escapou à clarividência do padre Manoel Maria Torquato
de Almeida, pastor de almas do Arcebispado de Mariana,
para que na sua Fazenda do Cortume, situada nas
fraldas da Serra de Camapoan no município de Entre
Rios de Minas, em 1.810, uma criação selecionada
de jumentos nacionais. A visão deste religioso,
de origem portuguesa, culto e operoso , vislumbrou
um horizonte de maior importância para a pecuária
nacional. Por certo, utilizou uma alta mestiçagem
entre as raças italiana e egípcia e uma posterior
seleção dos melhores animais para praticar os acasalamentos
entre eles .
As
raças têm as suas histórias e lendas. A raça Pêga
também tem as suas. O nome Pêga tem origem no aparelho
formado por duas argolas de ferro, formando algemas,
com o qual os senhores prendiam pelos tornozelos
os escravos fugitivos. Os jumentos que deram origem
à raça , eram marcados a fogo pelos seus proprietários,
com uma marca figurando aquele aparelho. Assim,
todos os animais deste grupo original passaram a
ter a marca Pêga, e reconhecidos como raça com este
mesmo nome .
O
Padre Torquato em 1847 , vendeu ao Coronel Eduardo
José de Rezende , proprietário da Fazenda do Engenho
Grande dos Cataguazes, no município de Lagoa Dourada,
dois machos e sete fêmeas de seus selecionados jumentos
da raça Pêga, já famosa num vasto raio da região
.
O
Coronel Eduardo continuou a obra de melhoramento
da raça com o mesmo carinho e entusiasmo do seu
iniciado, voltando especial cuidado para a padronização
do seu grupo de animais . Ampliou o seu criatório.
A criação de jumento do Cel. Eduardo, com a sua
visão intuitiva de melhorador, com a sua prudência
mineira, com o seu idealismo, pode ser considerada
como o berço e o marco concreto da formação da raça
Pêga, hoje difundida por todo o território nacional
e oficialmente reconhecida .
Para
confirmar a visão de idealista do cel. Eduardo,
há noticia que fez doação de um lote de jumentos
a todos os seus filhos, talvez, com a intenção de
que o seu trabalho não pudesse ser perdido por fatores
ocasionados da vida e ficar, assim, preservada a
história e a formação da raça ligada à família .
Aos
quinze dias do mês de agosto de 1.947, no antigo
Parque da Gameleira (atualmente Parque "Bolivar
de Andrade"), na cidade de Belo Horizonte, capital
do Estado de Minas Gerais, às 15:00 horas, estando
presentes um grupo de criadores, em reunião, resolveram
fundar, com personalidade jurídica, a ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DOS CRIADORES DE JUMENTO PÊGA, sendo
constituída uma Diretoria sob a presidência do Cel.
Eliziário José de Resende .
A
raça Pêga é hoje , o orgulho da pecuária nacional.
O Pêga é o jumento que se afirma , tornando-se o
jumento da "PREFERÊNCIA NACIONAL" .
texto
extraído do Estatuto da ABCJP
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